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Feliz aos 40

  • 5 de mai. de 2022
  • 2 min de leitura

Era seu 40° aniversário. Olhou-se no espelho após a festa e sentiu que as rugas começavam a pular de seu rosto, uma a uma. Passou removedor de maquiagem e tocou em sua própria face, percebendo cada marca de expressão.

Jogou água no rosto.

Como em um mapa, ele trazia os caminhos de uma história: quarenta anos de luta. Na testa, três linhas apontavam para seus casamentos perdidos. No contorno dos olhos, podia ver seus grandes amores. E no canto da boca, suas expectativas e desencantos profissionais.

Jogou água no rosto mais uma vez.

Precisava sacudir aquela poeira e espantar o pensamento tão negativo. Na vida, é possível ver o copo meio cheio ou meio vazio. Olhar para a própria idade e pensar...

“meu Deus, 40!”

ou

“são apenas 40”

Como dizia sua falecida mãe: “Sou só uma senhora. Uma jovem senhora”.

***

Ligou então o som.

Ouviu músicas que amava.

E lembrou de beijos, de sons, e momentos marcantes. E questionou a si mesma: Por que olho tanto para trás?

E como em um filme, daqueles bem existenciais, colocou seu vestido mais bonito. Trocou a maquiagem. E dançou sozinha. Dançou, e dançou, e dançou…

O telefone tocou. Mensagens chegaram. A campainha soou. Mas ela só queria estar ali. Sozinha com seu vestido mais bonito, ouvindo suas músicas, e se sentindo em paz. Porque aos quarenta (nossa, como seria bom se por toda a vida fosse assim), você só quer tranquilidade, autocuidado e fazer aquilo que de fato gosta, livre de convenções e obrigações sociais.

Apenas ser feliz consigo mesma. E mais…

NADA

Crédito da imagem: Pexels

“Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.“

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